ACIB promove conversa sobre infraestrutura portuária

ACIB promove conversa sobre infraestrutura portuária
06/05/2024

ACIB promove conversa sobre infraestrutura portuária

A infraestrutura é um dos problemas apontados por mais de 70% dos empresários catarinenses, quando se fala em necessidade urgente de investimento. O dado tem base em estudo feito pela Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc). Pensando em fomentar o debate, a Associação Empresarial de Blumenau (ACIB) contou com a participação do secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins, e do diretor da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, na reunião entre diretoria e conselhos realizada na segunda-feira (6). A conversa teve como foco os portos, estruturas fundamentais para as operações das empresas de Blumenau.

Beto Martins contextualizou que atualmente SC conta com cinco terminais portuários, dentre eles, dois têm operação privada (Itapoá e Navegantes), dois têm operação estadual (São Francisco do Sul e Imbituba) e um municipal (Itajaí).

“Nos dois primeiros meses de 2024, tivemos 11,34% de crescimento na movimentação de cargas (em relação ao mesmo período de 2023) mesmo com os problemas enfrentados por Itajaí”, explica. Itajaí está sem operação de containers há mais de um ano desde que empresa que era responsável suspendeu as atividades.

Mesmo com a baixa, SC ocupa o segundo lugar no País em movimentação de containers, sendo responsável por 21,6% de toda carga que o Brasil recebe. São Paulo fica em primeiro com 36,41%.

O secretário aponta que atualmente o Estado possui alguns desafios relacionados ao modal portuário, dentre eles estão a conclusão da ampliação da Bacia de Evolução do complexo portuário de Itajaí, dragagem e a concessão definitiva do terminal, prevista para ocorrer até 2026. “A dragagem tem um custo de cerca de R$ 6 milhões por mês e é uma das mais caras que se tem notícias. Mas se não realizarmos o que for preciso, podemos perder os grandes armadores de carga”, alerta. A situação do Porto de Itajaí é delicada e depende também de ações do Governo Federal.

Portonave

A Portonave é o segundo maior movimentador de containers do Brasil, em 2023, operou 15,2% do total. Em média, o porto recebe 2 mil caminhões por dia, mas em períodos de pico esse número chega a 3,1 mil. “Todos os grandes armadores que operam na costa brasileira, operam na Portonave”, explica Castilho.

O executivo aponta que a conclusão da segunda fase da Bacia de Evolução do Porto de Itajaí é imprescindível também para as operações no terminal. “Precisamos estar prontos para receber navios de 366 metros, e a obra é fundamental. Se não conseguirmos nos adequar, ficaremos fora do mercado”, alerta. De acordo com ele, Paranaguá (PR) já recebeu esse tipo de cargueiro.

Enquanto a obra que depende de dinheiro do Governo Federal não sai, a Portonave iniciou melhorias no cais com o investimento previsto de R$ 1 bilhão. A obra deve durar 24 meses e quando for finalizada terá capacidade de receber navios de até 400 metros. “Haverá ganhos de escala e movimentação de mais carga em menos tempo, o que reduz os valores de produtos refletindo inclusive no consumidor final.”, explica.

Porém, se a Bacia da Evolução não for finalizada, as embarcações não conseguirão fazer as manobras necessárias.

Gargalos

O que os dois gestores concordam é que SC é dependente do modal rodoviário e que esse cenário não mudará tão cedo. Segundo o secretário, o Estado está investindo R$ 32 milhões em projetos para a execução de ferrovias. O único porto que atualmente recebe cargas via férrea é São Francisco do Sul. “Vamos apresentar na semana que vem em Navegantes um projeto que ligará os portos de Itajaí e Navegantes até São Francisco.”

De acordo com ele, há ainda outros projetos em execução para as ferrovias entre Chapecó e Correia Pinto e de Correia Pinto a Navegantes. “Também estamos fazendo um movimento de unir os Estados do Sul para discutir um corredor ferroviário”, explica.

Já Castilho, lembra que é importante que as associações empresariais continuem cobrando celeridade nos assuntos referentes à melhoria da infraestrutura como a conclusão da BR-470 e da Bacia de Evolução. Além da importância de que o País tenha estabilidade regulatória para que o investidor se sinta mais seguro.

A presidente da ACIB, Christiane Buerger, lembrou que é importante que o Poder Público olhe para Santa Catarina. “Não podemos aceitar que um Estado que produz tanto e é tão inovador não receba os investimentos necessários. Precisamos exigir mais”, afirma.

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